Leticia Cristina Aprobato Defendi

 A cura não acontece de um dia para o outro.

Ela não vem com pressa, nem se revela com fórmulas prontas.

A cura começa, silenciosamente, no instante em que você decide se escutar.

Escutar o corpo quando ele pede descanso.

Escutar o coração quando ele não quer mais forçar sorrisos.

Escutar a alma quando ela já não vibra no mesmo lugar.

Vivemos em um mundo que ensina a esconder a dor, a correr, a produzir, a sorrir mesmo cansados.

Mas o verdadeiro caminho espiritual começa quando você se permite parar.

Quando deixa cair as máscaras, solta o controle e diz a si mesma:

“Eu não preciso ser forte o tempo todo.”

A cura é um processo de aceitação.

Ela não exige que você seja perfeita, apenas presente.

Porque cada emoção que você reprime a tristeza, a raiva, o medo continua pedindo espaço dentro de você.

E quando você se escuta, essas emoções finalmente encontram abrigo para se transformar.

Não é sinal de fraqueza chorar, duvidar ou se perder por um tempo.

É sinal de humanidade.

A alma também se cansa, e o descanso é parte do caminho.

A espiritualidade não é sobre negar a dor, mas sobre atravessá-la com consciência.

É segurar a própria mão nas noites difíceis e lembrar: “Eu estou aqui por mim.”

É honrar as suas feridas, porque nelas mora a sabedoria de quem sobreviveu e aprendeu.

Com o tempo, você vai perceber que nada foi em vão.

Cada queda te aproximou de si mesma, cada perda te mostrou o que realmente importa.

E então, o que antes doía, começa a brilhar como um lembrete:

você é feita de luz, mesmo quando se sente em pedaços.

A cura não é um destino, é um retorno.

Um retorno à sua própria verdade, ao seu coração, à sua essência.

E ela começa sempre no simples e sagrado ato de se escutar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Recomeços

Silêncio da Alma